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sábado, 20 de novembro de 2010

Um conforto para os vagabundos

"Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca..."





Sinto-me até mais aliviada depois de ler isso...rsrs
ah..só para constar...o título do post não é o título do poema..rs

Recomendo

Sábado e todos os meus amigos estão se divertindo no Ribeirão Folia.
Eu? Eu estou em casa, morgando... ¬¬
Que me resta fazer? Ler poemas...
Pois bem, segue aqui um com o qual muito me identifiquei...

"Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só..."
                                          Florbela Espanca 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Vou-me embora pra Passárgada

Vou-me embora pra Passárgada

Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada

Vou-me embora pra Passárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Passárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada 

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Eu...perfeição da metáfora

Pura indefinição, a subjetividade objetiva.
Visão absurda e no entanto atrativa.
Descrição imprevisível aos Pensamentos de quem as pode ler,
Como as respostas sem pergunta devem ser.
Não posso deixar de sentir e sonhar,apenas por sua meta,
Seu objetivo é curvo, minha Subjetividade é reta.
Não se atreva me definir apenas em momentos, 
Ficarias em Dúvida com seus próprios pensamentos.
Minha insanidade é perfeita, a alma aqui se deleita, sob um veneno sem cura,eu sou metáfora pura.

Enéas Ribas Galvão

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Resposta na Sombra

"Sofro... Vejo envasado em desespero e lama
Todo o antigo fulgor, que tive na alma boa;
Abandona-me a glória; a ambição me atraiçoa;
Que fazer, para ser como os felizes?"
- Ama!


"Amei... Mas tive a cruz, os cravos, a coroa
De espinhos, e o desdém que humilha, e o dó que infama;
Calcinou-me a irrisão na destruidora chama; 
Padeço! Que fazer, para ser bom?"
- Perdoa!


"Perdoei... Mas outra vez, sobre o perdão e a prece, 
Tive o opróbrio; e outra vez, sobre a piedade, a injúria; 
Desvairo! Que fazer, para o consolo?"
- Esquece!

"Mas lembro... Em sangue e fel, o coração me escorre:

Ranjo os dentes, remordo os punhos, rujo em fúria... 
Odeio! Que fazer, para a vingança?"

- Morre!"



Olavo Bilac

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Onde? =/

Há certas horas,

Em que não precisamos de um Amor...

Não precisamos da paixão desmedida...

Não queremos beijo na boca...

E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...

Há certas horas, 

que só queremos a mão no ombro, 

o abraço apertado ou mesmo o estar ali, 

quietinho, ao lado...

Sem nada dizer...

Há certas horas, 

quando sentimos que estamos pra chorar, 

que desejamos uma presença amiga, 

a nos ouvir paciente, 

a brincar com a gente, 

a nos fazer sorrir...

Alguém que ria de nossas piadas sem graça...

Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...

Que nos teça elogios sem fim...

E que apesar de todas essas mentiras úteis, 

nos seja de uma sinceridade inquestionável...

Que nos mande calar a boca 

ou nos evite um gesto impensado...

Alguém que nos possa dizer:

Acho que você está errado, 

mas estou do seu lado...

Ou alguém que apenas diga:

Sou seu amor!

E estou Aqui!


William Shakespeare

terça-feira, 4 de maio de 2010

Tenho sono

O SONO



O sono que desce sobre mim, 
O sono mental que desce fisicamente sobre mim, 
O sono universal que desce individualmente sobre mim — 
Esse sono 
Parecerá aos outros o sono de dormir, 
O sono da vontade de dormir, 
O sono de ser sono. 
Mas é mais, mais de dentro, mais de cima: 
É o sono da soma de todas as desilusões, 
É o sono da síntese de todas as desesperanças, 
É o sono de haver mundo comigo lá dentro 
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso. 

O sono que desce sobre mim 
É contudo como todos os sonos. 
O cansaço tem ao menos brandura, 
O abatimento tem ao menos sossego, 
A rendição é ao menos o fim do esforço, 
O fim é ao menos o já não haver que esperar. 

Há um som de abrir uma janela, 
Viro indiferente a cabeça para a esquerda 
Por sobre o ombro que a sente, 
Olho pela janela entreaberta: 
A rapariga do segundo andar de defronte 
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém. 
De quem?, 
Pergunta a minha indiferença. 
E tudo isso é sono. 

Álvaro de Campos

domingo, 2 de maio de 2010

Domingo

Vazio...É isso que estou sentindo. Um enorme vazio. Não sei...talvez seja resultado do fim de domingo...Porque não sei quanto a vocês, mas domingos para mim são muito tristes, principalmente no fim da tarde ou a noite...E não é porque depois vem a segunda-feira e a rotina recomeça. Não sei explicar...Talvez seja porque é o final de mais uma semana vazia, sozinha... (Eu sei..tecnicamente domingo é o início de uma nova semana, mas vocês me entenderam né? rs)
Essa sensação me perseguiu por boa parte dessa semana, o que me fez refletir sobre minha vida. Principalmente o amor, é claro...Uma vez que a minha existência gira em torno desse sentimento ingrato.
Não, não! Está tudo errado...Pára tudo!
Está tudo errado primeiro porque eu não consegui chegar a nenhuma conclusão, portanto, eu não refleti sobre nada, apenas gastei tempo pensando...E está errado porque o amor não é ingrato. O amor é o sentimento mais bonito de todos. Ingrato é descobrir que poucos são os que lhe dão o devido valor.
Desculpem-me a bagunça, é porque eu estou confusa..Nem mesmo sei se estou sendo clara, aliás, tenho certeza que não. Ser objetiva não é o meu forte quando estou tentando descobrir o que sinto. Fato é que eu queria escrever tanta coisa, mas então me lembro que qualquer pessoa pode ler o que está aqui (tudo bem que não acredito que sejam muitas pessoas, mas nunca se sabe quem poderia dar uma bisbilhotada...rs...por curiosidade talvez) e sendo assim, não posso ir dizendo tudo que quero...Aaaaah!!! Eu vou explodir! Porque não consigo me expressar!
Eu desisto! Definitivamente hoje estou tão confusa que não consigo sequer organizar meus pensamentos. Deixo então um poema que encontrei. O autor (que desconheço) teve infinitamente mais sucesso que eu em expressar o que sentia e que coincidência ou não, é o mesmo que estou sentindo hoje, domingo, dia 2 de maio (nome do poema).

2 DE MAIO

Estamos to
dos presos
No vazio da solidão dos domingos.
Neste tempo de incertezas
Dias são iguais,
Iguais ao que nunca aconteceu.
À noite seremos todos pagãos,
Vamos esquecer das coisas tristes
Da nossa existência. 

Tudo que quero agora
É lhe encontrar
Mas você foi embora
E eu não sei se vai voltar.
O ar incandescente
Vem me sufocando.
A solidão indecentemente
Me apunhalando.
Agora só há o horizonte
Para escutar o meu grito.
Agora o olhar infinito
À procura de um novo horizonte. 

Inicia-se mais uma madrugada.
A lua Ilumina meus passos na escada.
Me encontro na rua , na escada e na ponte.
Encontro Órion surgindo no horizonte,
Imponente qual um gigante.
O beijo frio da madrugada,
Infindável noite de angustiante apreeensão.
Penso nos seus cabelos, seus olhos distantes
E na garganta uma pergunta engasgada.
Um sentimento de contemplação, quase paixão.
Há algo que nos mantém juntos
Com destinos diferentes.
E há algo que nos mantém distantes
Daqueles que tem destinos comuns.